28 de maio de 2020

Entrada

Camoniana

o blogue dos Estudos Camonianos


Retrato do poeta, c. 1573/5,por Fernão Gomes (1548-1612)
Luís de Camões (Lisboa, c. 1524 – Lisboa, 1580) é um dos maiores escritores do mundo, em língua portuguesa. Desde o Classicismo (séc. XVI) até à nossa contemporaneidade, que “o engenho e arte” manifestados pelo poeta na sua epopeia “Os Lusíadas” e nos seus poemas líricos tem fascinado o leitor comum e o leitor especializado, proporcionando extensa e diversa receção crítica (artigos, ensaios, teses académicas...), glosas de homenagem e emulativas, criativa recriação por parte de escritores. Em todas as épocas, contínuas gerações têm admirado a sua obra e nela encontrado o eco ou o desvelar dos seus próprios sonhos e anseios. Nesse sentido, como referiu o camonista Vítor M. Aguiar e Silva, “Camões é um clássico que tem sido moderno ao longo dos séculos”.

Pode navegar pelas suas múltiplas facetas através das páginas aqui apresentadas:

A sua vida divulga informação e recursos sobre a biografia do poeta.

A sua obra mostra inicialmente as obras camonianas arrumadas por género (lírica, épica, teatro, cartas) e, dentro de cada género maior, fornece os textos dos subgéneros. No final, providencia-se a ligação para as Obras digitalizadas de Luís de Camões, na Biblioteca Nacional de Portugal.

A época apresentará ligações para: os grandes movimentos culturais e filosóficos que modelaram o tempo histórico de Camões; a influência de autores espanhóis e italianos; autores contemporâneos de Camões.

Testemunhos consiste numa antologia de excertos de consagrados camonistas sobre a vida e a obra de Camões.

Fortuna crítica contém listas de referências (bibliografia passiva) sobre a vida e a obra de Camões: receção crítica (camonistas, teses académicas, atas de encontros, artigos de periódicos e números temáticos, etc.); receção criativa (obras literárias e artísticas inspiradas em Camões) e traduções noutras línguas.

Multimédia abre-se ao diálogo intertextual da obra camoniana com as artes: Iconografia, Cinema, Música, etc. Pode ser uma aliciante porta de entrada no universo literário de Camões.

Recursos didáticos disponibiliza "materiais" (fichas de trabalho, resumos, esquemas, documentos históricos, etc.) que podem orientar o estudo da obra camoniana de acordo com os Programas e  Metas Curriculares de Português. É um auxiliar do ensino (para professores) e da aprendizagem (para os alunos) no que concerne a leitura dos textos líricos (as Rimas) e da epopeia Os Lusíadas. Apresentam-se algumas referências bibliográficas e da Internet.

Utilitários reúnem informação prática e útil. São “ferramentas” de apoio ao navegante: Contactos; Mapa do blogue (um índice mais pormenorizado das principais secções do blogue); Siglas e Abreviaturas (utilizadas sobretudo nas referências bibliográficas); Glossário (de estudos literários, antropónimos, topónimos e vocabulário específico da obra e da época de Camões); Cursos de Estudos Camonianos; Notícias (Informação periódica recente, disponibilizada online).


Reescrever o séc. XVI: O homoerotismo camoniano no "Convite que fez a certos fidalgos em Goa"- Seminário online

Grupo de Investigação Poéticas em Língua Portuguesa (PLP)
Seminário Online, no âmbito do projeto de investigação “Reescrever o séc. XVI”.


"O homoerotismo camoniano no "Convite que fez a certos fidalgos em Goa"

Márcia Arruda Franco
28.05.2020, 15h-17h


O seminário:




Na quinta-feira, 28 de maio de 2020, pelas 15 horas de Lisboa e durante duas horas, participantes em diversos locais do mundo, visionaram o seminário online, apresentado por  Micaela Ramon (CEHUM, UMINHO) e com a palestra de Márcia Arruda Franco (Sorbonne Nouvelle, Paris 3), baseado no texto camoniano “Zombaria aos moradores de Goa na entrada do governo de Francisco Barreto”, abordado na perspetiva enunciada no título da sessão: o homoerotismo camoniano, ou seja: apossibilidade de interpretar o banquete de trovas como um encontro homoerótico. Um evento realizado no âmbito do projeto de investigação “Reescrever o séc. XVI”.

Após pormenorizado enquadramento da temática, considerando a necessidade de “entender o erotismo ao tempo de Camões e a sua desvinculação relativamente a categorias estanques da sexualidade correntes nas sociedades burguesas, onde se opõem heterossexualidade e homoerotismo”, Márcia Arruda Franco, focaliza o seu estudo na Península Ibérica e refere que “nas sociedades de corte, a vivência da sexualidade seguia parâmetros menos rígidos, em que se admitia a bissexualidade”. Esses tópicos orientaram o seminário, com apresentação de "casos" e iconografia, em que foi analisado o texto camoniano.
No final, a conferencista apresentou ainda a proposta de organização de uma Antologia homoerótica de Camões, a partir dos poemas e da tese configurada no romance Pode um desejo imenso, de Frederico Lourenço.

A seminarista:



Márcia Arruda Franco é Professora Doutora da Universidade de São Paulo e, como camonista, colabora com o CIEC da Universidade de Coimbra, redigiu os verbetes “O cânone literário português e Camões” e “Horacianismo em Camões” para o Dicionário de Luís de Camões (2011) e a sua produção ensaística tem valorizado Sá de Miranda, Camões, Garcia de Orta, o Renascimento português. Destacamos a publicação das monografias Camões, leitor de Sá de Miranda (Porto: Fundação Eng. António de Almeida, 1999), Camões e Garcia de Orta em Goa e em Portugal (Coimbra: CIEC, 2019).  Entre outros projetos, integra e co-coordena a equipe USP do projeto multidisciplinar da parceria USP-UMINHO – Reescrever o século XVI. É no contexto deste Projeto que agora se apresenta este Webinar.
Artigo da autora sobre o tema: Convite que fez Camões em Goa a certos Fidalgos, e-lyra: revista de rede internacional Lyracompoetics, n.º 4 (out. 2014), 21-45.

Algumas imagens do evento:






15 de maio de 2020

Reescrever o séc. XVI : As cartas em prosa de Camões e a questão do baixo amor - Seminário online


Seminário Online, no âmbito do projeto de investigação - Reescrever o séc. XVI.

«As cartas em prosa de Camões e a questão do baixo amor»


Marcia Arruda Franco


14.05.2020, 15h-17h

Acesso/Inscrição, aqui.

Resumo:


Há quatro cartas em prosa que a crítica reconhece como tendo sido escritas por Camões e uma quinta que a tradição crítica lhe tem também atribuído, embora não os seus editores. 


O erotismo baixo das cartas, e sobretudo o da quinta carta inédita, não é bem aceite pelos críticos que insistem em ler o discurso epistolar exclusivamente na clave biografista. Entretanto, é possível, a partir de uma interpretação histórico-cultural, reler a alegada pornografia camoniana como discurso político. 

Neste seminário discutir-se-ão tais possibilidades e defender-se-á a proposta de proceder à edição da quinta carta em prosa juntamente às outras quatro, a partir de um estudo deste género epistolar nos códices manuscritos da BNP.



Algumas notas, após participação no seminário


Na quinta-feira, 14 de maio de 2020, pelas 15 horas de Lisboa e durante duas horas, cerca de meia centena de participantes, visionaram o seminário online, apresentado por  Micaela Ramon (CEHUM, UMINHO) e com a palestra de Márcia Arruda Franco (Sorbonne Nouvelle, Paris 3), dedicado às cartas em prosa de Luís de Camões e a temática do baixo amor como tema epistolográfico e histórico-cultural (no âmbito do projeto de investigação “Reescrever o séc. XVI”).




Márcia Arruda Franco é Professora Doutora da Universidade de São Paulo e, como camonista, colabora com o CIEC da Universidade de Coimbra, redigiu o verbete “O cânone literário português e Camões” para o Dicionário de Luís de Camões (2011) e a sua produção ensaística tem valorizado Sá de Miranda, Camões, Garcia de Orta, o Renascimento português. Entre outros projetos, integra e co-coordena a equipe USP do projeto multidisciplinar da parceria USP-UMINHO – Reescrever o século XVI. É no contexto deste Projeto que agora se apresenta este Webinar.




Márcia Arruda Franco começou por referir a necessidade de regressar aos “arquivos” para contar outra história, descontínua, também através de testemunhos como as cartas. Embora estejam bastante estudadas as cartas em latim, do século XVI, havendo até tratados acerca das regras de escrita das mesmas, o mesmo não se passa com as de Camões, defende.

De seguida, apresentou uma breve história da edição e recepção das cartas em prosa de ou atribuídas a Camões. Elas são cinco, começando deste modo: “esta vai com a candeia”, “Desejei tanto uma vossa”, “Üa vossa me deram”, “Quanto mais tarde vos escrevo”, “Por que nem tudo seja falar-vos de siso”.

De facto, no domínio do Estudos Camonianos, na valorização da epistolografia camoniana destacam-se José Maria Rodrigues, Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Hernâni Cidade, Fiame Hasse Pais Brandão, Clive Willis, Fernando F. de Portugal, Helder Macedo e, com verbete no Dicionário de Camões, Isabel Almeida. 

A principal tese da investigadora parece fundar-se na possibilidade de interpretação de uma linguagem cifrada – já defendida por Fiama na sua leitura simbólica apresentada em “Linhas das cartas de Camões” (coligida in O labirinto camoniano e outros labirintos, 1985, 2.ª ed., 2007). O
leitor da(s) carta(s) deverá proceder a uma decifração da ambiguidade do discurso: onde estão configuradas e zombadas as mulheres venais, que se prestam também a práticas sádicas de modo a despertar o desejo sexual nos seus clientes, poderá também encontrar-se o retrato satírico dos agentes da Santa Inquisição; determinados termos remeter-nos-iam para entidades perseguidas, como os judeus. A “língua baixa” utilizada nestes textos, para além de ser o cantar de Eros camoniano, estará também ao serviço da denúncia política, do caricaturar dos inquisidores da época.




Do mesmo modo, o estilo baixo utilizado por Camões nas cartas, ou seja, o seu glosar epistolar do “baixo amor”, mostra “um lado menos oficial do poeta, à margem daquele canonizado pela história literária e nos currículos escolares”, em consonância com o “Retrato de Camões na prisão” (1556?), atribuído a Fernão Vaz Dourado, datado de cerca de três anos após a chegada do Poeta à Índia. Um poeta recluso e em pobreza, embora “com as regalias de um letrado, a escrever Os Lusíadas”, diz. À margem na vida, marginal também na escolha dos temas para as suas composições epistolográficas. Textos privados e, todavia, com uma divulgação ou eventual circulação pública, o que a investigadora denomina de “publicações escribais”.

Depois de apresentar a sua análise da quinta carta camoniana, Márcia Arruda Franco expressa o ensejo da sua edição conjuntamente com as outras quatro cartas em prosa já conhecidas, tal como a vontade de publicação dos outros documentos que tardam manuscritos nas miscelâneas coevas. Faz então um apelo, no final, para a constituição de uma equipa multidisciplinar que trabalhe e divulgue esses aquivos.


Vivam os Estudos Camonianos!

4 de março de 2020

Receção sérvia













Traduções

  • Luzitanci / Luís de Camões. – Za mladez adpira u prozi : akademik João de Barros. – Trad. para servo-croata Josip Tabak. Zagreb: Mladost, 1952. – [Ed. original: Os Lusíadas: contados às crianças e lembrados ao povo: adaptação em prosa de João de Barros. 2.ª ed., Lisboa: Sá da Costa, 1931].
  • Luzijadi = Os Lusíadas / Luís de Kamoens. Trad. Đorđe Šaula ; edição e notas [p. 331-390] Ivan Klajn. Belgrado : Srpska književna zadruga [Cooperativa Literária Sérvia], 1981. – [XXIII+394, [3] p. ; 19 cm, capa dura. Vol. 489 da série. – Contém : “Camões como poeta das antinomias do progresso” [original – Lisboa: Caminho, 1980, p. 9-19.] por Óscar Lopes, p. V-XXIII; Explicações para todos os cantos (780); “Nota sobre escritor e trabalho”, por Marina Ljujić, pp. 391-4.
  • Vitez ljubavi = [O Cavaleiro do Amor. – antologia de sonetos] / Luís de Camões. Trad. Ana Stjelja. Belgrado : Udruženje Alia Mundi, 2019.



15 de fevereiro de 2020

Celebração dos 430 anos do nascimento de Manuel de Faria e Sousa (18 de março de 1590), o grande comentador da obra de Camões




Exposição


Título do evento:

  • “430 anos do nascimento de Manuel de Faria e Sousa” [a partir do cartaz].

Data / Horário:

  • 15 fev. – 29 mar. 2020.
  • A exposição, de entrada livre, está disponível para visitas de quarta-feira a domingo, entre as 10 e as 18 horas.

Local:


  • Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras, Portugal.

Organização e apoios:

Descrição / Programa:

  • Para comemorar os 430 anos de nascimento de Manuel Faria e Sousa (1590-1649), a Câmara Municipal de Felgueiras e a Rota do Românico promoveram uma exposição documental sobre o grande escritor felgueirense, propondo aos visitantes efetuarem uma viagem pela vida e percurso do mesmo, documentada na exposição patente no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras, entre 15 de fevereiro e 31 de março de 2020]
Datas a destacar:
  • 15 fevereiro, sábado, 16h30 – Inauguração, com apresentação por José Valle de Figueiredo (professor, poeta e crítico literário).

  • 28 março, sábado – Conferência temática por Zulmira C. Santos (professora catedrática da Fac. de Letras da Univ. do Porto).

Para saber mais:


29 de novembro de 2019

O navegador, soldado, provedor dos defuntos e poeta Luís de Camões é o CAVALEIRO DO AMOR, numa antologia de sonetos em língua sérvia

Edição sérvia:
Luís de Camões – Vitez ljubavi = [O Cavaleiro do Amor]. – [Antologia de sonetos]. – Trad. Ana Stjelja. Belgrado : Udruženje Alia Mundi, 2019.


10 de junho de 2019

Canção X de Camões (excerto)


Nem eu delicadezas vou cantando
Co'o gosto do louvor, mas explicando
Puras verdades já por mim passadas.
Oxalá foram fábulas sonhadas!


Camões, da "Canção X"