22 de julho de 2017

E VÓS, TÁGIDES MINHAS – exposição de pintura e escultura de Norberto Nunes



1. A exposição



“E VÓS, TÁGIDES MINHAS”
10 Cantos de “Os Lusíadas” e Reis de Portugal

A receção criativa pelo artista plástico Norberto Nunes (nasceu em Pedrógão Grande, em 1942) de Os Lusíadas de Luís de Camões: 10 obras organizam uma viagem pintada, com “outras cores, formas e combinações”, dessa outra viagem literária cantada pelo épico.
Dez cantos escritos dão lugar a uma série de dez histórias pintadas.

Exposição de pintura de Norberto Nunes
MU.SA – Museu das Artes de Sintra, na Galeria Municipal
de 29 de julho a 5 de setembro de 2017.

O MU.SA é um espaço museológico que se encontra no antigo Casino, junto ao Centro Cultural Olga Cadaval. Tem ainda uma zona para fotografia, uma livraria e a Galeria Municipal onde está apresentada a exposição temporária do artista.




2. A vida

Fotografia do perfil oficial no Facebook
Norberto Nunes nasceu em 16 de maio de 1942, em Pedrógão Grande, na Beira Litoral, Portugal, mas é em Lisboa, para onde vem com dois anos de idade, que passa a sua infância e juventude.
Tirou o curso de pintura na Escola de Artes Decorativas António Arroio e simultaneamente foi aluno de pintura do Mestre Roberto de Araújo, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.
Depois de se formar em pintura, inicia a sua atividade profissional como gráfico e ilustrador em diversas empresas – por exemplo, trabalhou durante alguns anos como ilustrador na Valentim de Carvalho. Aos 24 anos entra para a produtora Telecine-Moro, onde posteriormente se dedica à técnica do desenho animado.
Como ilustrador de livros para crianças (banda desenhada e manuais escolares), destacam-se as ilustrações das histórias da Sementinha no livro em coautoria com M. Isabel Loureiro: A viagem da sementinha (Lisboa: O Livro, 1995), A sementinha no jardim zoológico (Parede: Chá das Cinco, 2009), A sementinha na floresta (Quebra Nozes, 2010) e A sementinha na Quinta do Moinho (Lisboa: Edições Vieira da Silva, 2014).
Em 1972, envereda pela realização de filmes em imagem real para publicidade e em 1975 parte para o Rio de Janeiro para dirigir, durante dois anos, uma equipa de filmes de animação (desenho animado) e de imagem real, sobretudo em publicidade.
Em 1977, regressa a Portugal e lança  a sua própria produtora na mesma área – a Nova Imagem. O seu trabalho de criação de filmes publicitários  é reconhecido e galardoado com prémios nacionais e internacionais, entre os quais, um Cannes Lion e um Silver Award no Festival de Nova York.



A partir de 1998, Norberto Nunes dedica-se totalmente à pintura. Será à literatura que irá buscar muita da sua inspiração e matéria de trabalho. No Rio de Janeiro, onde passa a maior parte do seu tempo desde 2001, começou uma série de pinturas inspirada na poesia de Fernando Pessoa, cujas reproduções reunirá no volume Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou (2010), com a versão inglesa dos poemas pessoanos por Richard Zenith, e que exporá em espaço da Assembleia da República, em Lisboa, em 2015. Desenvolve de seguida um conceito semelhante, pintando os textos das histórias de Hans Christian Andersen.
Recentemente, apresenta o seu trabalho alusivo a Os Lusíadas de Camões na exposição “E vós, tágides minhas”, no MU.SA, Museu das Artes de Sintra (de 29 de julho a 5 de setembro de 2017). Todavia, exposição com o mesmo título terá sido apresentada no Museu Municipal de Espinho, de abril a junho de 2016.


O processo criativo do artista.

Em Portugal, já expôs em Lisboa, Sintra, Lagoa, Constância e Cantanhede. Lá fora, os seus trabalhos foram vistos em Paris, Roma, Madrid, Nova Iorque, Barcelona, Recife, Fortaleza, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.


3. A obra

Ilustração e texto, livro impresso


  • A viagem da sementinha / M. Isabel Loureiro; ilustração de Norberto Nunes. Lisboa: O Livro, 1995. / 2.ª ed., 2009. / 3.ª ed., Rio de Mouro: Everest, 2010. – Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.
  • A sementinha no jardim zoológico / Isabel Loureiro; il. Norberto Nunes. Parede: Chá das Cinco, 2009.
  • A sementinha na floresta / Isabel Loureiro; il. Norberto Nunes: Quebra Nozes, 2010.
  • A sementinha na quinta do moinho / Isabel Loureiro; il. Norberto Nunes. Lisboa: Edições Vieira da Silva, 2014. Avançar!... Avançar!...: ensino pré-primário e primário: fase propedêutica: caderno de desenvolvimento preparatório [da iniciação] na leitura-escrita e matemática / Irene M. Pires; M. da Conceição Mendonça; Norberto Nunes. 2 vols., Lisboa: Didáctica Editora, 1978.


Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou
autoria de Norberto Nunes; 
poemas de Fernando Pessoa; versão inglesa Richard Zenith;
rev. Teresa Sampaio. Parede: Ministério dos Livros, 2010. 
- Monografia com as pinturas de Norberto Nunes em torno do universo pessoano.





  • Rumo ao sul / António Antunes Carvalho; il. Norberto Nunes. Parede: Quebra Nozes, 2010.
  • Fernando Pessoa de A a Z / Catarina Florindo; il. Norberto Nunes. Rio de Mouro: Everest, 2013.
 Fernando Pessoa, recriado em vários projetos de Norberto Nunes.

Algumas exposições

  • Publicitários também pintam”. – Exposição coletiva. Lisboa, Pavilhão dos Descobrimentos, 1994; com o mesmo título, Galeria da Mitra, 1996; idem, 1997.
  • Exposição individual. Sintra, Palácio do Turismo, 1997.
  • Exposição individual. Galeria Nova Imagem, 1998.
  • Exposição individual. Carcavelos, Colégio Saint Jullians, 1998.
  • Exposição individual. Lagoa, Convento de S. Jorge, 1998.
  • Exposição individual. Lisboa, Palácio Galveias, maio de 1998. V. Instantâneos de Lisboa. – Catálogo da exposição. Lisboa: Edições Palácio Galveias, 1998.

  • As Guerreiras”. – Exposição de pintura em que “o artista plástico explora, à sua maneira, o corpo feminino”. Sintra, Galeria Municipal, de 29 de abril a 24 de maio de 2006.

  • “Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou”. – Exposição de pintura, inspirada nos textos poéticos de Fernando Pessoa. Santarém, Convento de S. Francisco, xx-28.11.2010. / Depois: Herdade do Rocim, em Cuba - Baixo Alentejo, 18.06.2011 – xxx.2011.

  • “Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou”. – Exposição de pintura sobre a obra de Fernando Pessoa. Lisboa, Assembleia da República, Palácio de São Bento, 17.06.2015 – 30.09.2015.

  • “Livrarias e pedaços do universo”. – Exposição de pintura. Galeria de Arte Contemporânea, de 3 a 25 de nov. 2012.
  • “Os livros são papéis pintados com tinta”. – Exposição de pintura, inspirada na obra pessoana. Org. da Fundação D. Luís I. Cascais, Centro Cultural de Cascais, 16.10.2010-2.01.2011. – V. catálogo em .pdf aqui.
  • “Livrarias de Bolso”. – Exposição de pintura, telas a óleo em pequeno formato. Cascais, Estúdio da Beloura – Inês Moreira Pilates & Wellness, 11.12.2015-xxx.
  • “Só a Arte é Útil. – Exposição de pintura, escultura e ilustrações do artista. Sines, Centro de Artes de Sines, março-18.05.2015.
  • “E vós, Tágides minhas”. – Exposição de pintura e escultura. Espinho, Museu Municipal: Fórum de Arte e Cultura de Espinho (FACE), 1.04.2016 – 4.06.2016.
  • “E vós, Tágides minhas: 10 Cantos de “Os Lusíadas” e Reis de Portugal. – Exposição de pintura e escultura sobre a obra épica de Camões. Sintra, MU.SA – de 29.07 a 5.09.2017.


4. Referências


Imagem da exposição de 2016
In perfil do Facebook de Luis Espírito Santo




14 de julho de 2017

Poema "A Luís de Camões" por Jorge Luís Borges










Jorge Luís Borges
(Buenos Aires, Argentina, 1899 – Genebra, Suíça, 1986)


A LUÍS DE CAMÕES 

Sem lástima e sem ira o tempo arromba
As heroicas espadas. Pobre e triste
À tua pátria nostálgica voltaste,
Ó capitão, para nela morrer
E com ela. No mágico deserto
Tinha-se a flor de Portugal perdido
E o áspero espanhol, antes vencido,

Ameaçava o seu costado aberto.
Quero saber se aquém da ribeira
Última compreendeste humildemente
Que tudo o perdido, o Ocidente
E o Oriente, o aço e a bandeira,
Perduraria (alheio a toda a humana
Mutação) na tua Eneida lusitana.

Jorge Luís Borges
In: O fazedor. Lisboa: Difel, 1985.




A LUIS DE CAMOENS

Sin lástima y sin ira el tiempo mella
Las heroicas espadas. Pobre y triste
A tu patria nostálgica volviste,
Oh capitán, para morir en ella
Y con ella. En el mágico desierto
La flor de Portugal se había perdido
Y el áspero español, antes vencido,
Amenazaba su costado abierto.
Quiero saber si aquende la ribera
Última comprendiste humildemente
Que todo lo perdido, el Occidente
Y el Oriente, el acero y la bandera,
Perduraría (ajeno a toda humana
Mutación) en tu Eneida lusitana.

Jorge Luís Borges
In: El hacedor, 1960
Reprod. em Obras completas: 1923-1972. Tomo I – El Hacedor.
14.ª ed., Buenos Aires: Emecé, 1984, p. 832.